A mielopatia cervical é uma condição neurológica séria caracterizada pela compressão da medula espinhal na região do pescoço. Sua evolução natural costuma ser progressiva e o tratamento precoce é fundamental para evitar sequelas permanentes.
O que é a medula espinhal cervical?
A medula é a estrutura nervosa que transmite informações entre o cérebro e o restante do corpo. Na região cervical, ela controla movimentos e sensibilidade dos membros superiores, inferiores e funções esfincterianas. Sua compressão afeta múltiplas funções neurológicas.
Causas mais comuns
- Espondilose cervical: degeneração natural com formação de osteófitos e hipertrofia ligamentar (causa mais comum em pessoas acima dos 50 anos);
- Hérnias de disco cervicais centrais grandes;
- Ossificação do ligamento longitudinal posterior (OLLP);
- Estenose congênita do canal cervical;
- Traumas cervicais;
- Tumores intramedulares ou extramedulares.
Sintomas característicos: o quadro clássico
Comprometimento de mãos
- Perda de destreza fina (dificuldade para abotoar, escrever, manipular pequenos objetos);
- Sensação de "mão desajeitada";
- Formigamento em mãos e dedos.
Comprometimento da marcha
- Sensação de pernas pesadas, "marcha em bloco";
- Desequilíbrio progressivo;
- Quedas frequentes em casos avançados.
Outros sinais
- Sinal de Lhermitte (sensação de choque ao flexionar o pescoço);
- Hiperreflexia (reflexos aumentados);
- Sinal de Babinski positivo;
- Em casos avançados, alterações esfincterianas.
Por que diagnosticar precocemente?
A mielopatia tem evolução tipicamente progressiva. Sintomas leves podem se manter estáveis por anos, mas uma vez instalado um déficit significativo, a recuperação completa é improvável mesmo após cirurgia. O tempo é, literalmente, neurônio.
Diagnóstico
A ressonância magnética cervical é o exame padrão-ouro, mostrando a compressão medular e eventualmente alterações no sinal medular (gliose), que indicam sofrimento estabelecido. A tomografia complementa avaliação óssea, e estudos neurofisiológicos podem ser úteis em casos selecionados.
Tratamento: cirurgia é a regra
Diferentemente da hérnia de disco simples, a mielopatia cervical sintomática raramente responde apenas ao tratamento conservador. As principais opções cirúrgicas são:
Discectomia cervical anterior com fusão (ACDF)
Para compressões focais. Remove disco e osteófitos, com colocação de cage e placa.
Corpectomia cervical
Em compressões mais extensas, remove-se parte do corpo vertebral para descompressão ampla.
Laminoplastia cervical
Técnica posterior que aumenta o canal vertebral sem fixação, preservando mobilidade.
Laminectomia com artrodese
Para casos com múltiplos níveis e instabilidade.
Recuperação e prognóstico
Quanto mais precoce a cirurgia, melhor o prognóstico. Sintomas recentes (menos de 6 meses) costumam ter excelente reversibilidade. Sintomas crônicos podem estabilizar mas dificilmente reverterão completamente. Reabilitação fisioterápica é fundamental no pós-operatório.
Este artigo tem caráter exclusivamente educacional e não substitui a avaliação médica individualizada.
