A espondilolistese é o deslizamento anterior (ou raramente posterior) de uma vértebra sobre a vértebra logo abaixo. É uma das causas mais comuns de dor lombar crônica em adultos e atletas jovens.
Tipos principais
- Ístmica: decorre de um defeito na pars interarticularis (espondilólise). Comum em jovens atletas de modalidades que exigem hiperextensão lombar (ginástica, vôlei, mergulho);
- Degenerativa: mais comum em mulheres acima dos 50 anos, geralmente em L4-L5. Decorre da degeneração do disco e das facetas;
- Congênita: presente desde o nascimento;
- Traumática ou patológica: menos frequentes.
Classificação de Meyerding
Mede o percentual de deslizamento: grau I (até 25%), grau II (25-50%), grau III (50-75%), grau IV (75-100%) e grau V ou espondiloptose (>100%). A maioria dos casos é grau I ou II.
Sintomas
- Dor lombar mecânica que piora ao final do dia;
- Dor irradiada para as nádegas e coxas;
- Sensação de instabilidade lombar;
- Em casos avançados, claudicação neurogênica e déficit neurológico;
- Rigidez de musculatura posterior da coxa (isquiotibiais encurtados).
Diagnóstico
A radiografia em pé e em dinâmica (flexão e extensão) é fundamental para avaliar o grau de deslizamento e a estabilidade. A ressonância magnética complementa a avaliação de discos, raízes nervosas e canal vertebral.
Tratamento conservador
Eficaz para a maioria dos pacientes com graus I e II e sem sinais neurológicos:
- Fisioterapia com foco em estabilização lombar e fortalecimento de core;
- Evitar atividades de impacto e hiperextensão;
- Pilates clínico e RPG;
- Controle de peso e ajustes ergonômicos;
- Analgesia e anti-inflamatórios em fases agudas.
Quando operar?
- Falha do tratamento conservador por 6 meses;
- Progressão do deslizamento;
- Déficit neurológico;
- Dor incapacitante refratária;
- Graus elevados (III a V) sintomáticos.
Cirurgia: o que esperar
O procedimento padrão é a artrodese instrumentada do segmento afetado, frequentemente com redução parcial do deslizamento e descompressão das raízes nervosas. Técnicas minimamente invasivas (MIS-TLIF) oferecem excelentes resultados com menor agressão tecidual.
Prognóstico
A maioria dos pacientes operados apresenta excelente recuperação, com retorno à vida ativa em alguns meses. O acompanhamento de longo prazo é importante para monitorar a coluna como um todo.
Este artigo tem caráter exclusivamente educacional e não substitui a avaliação médica individualizada.
